terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Guarda em Vergílio Ferreira

Até domingo, há fotografias para ver na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda. São fotografias que ilustram as referências à cidade mais alta de Portugal, na obra de Vergílio Ferreira. «A Guarda em Vergílio Ferreira» assim se chama a exposição da autoria de Luísa Ferreira e Arménio Bernardo e fazem parte do projecto «Um (e)terno olhar», concretizado, por ocasião da inauguração da Biblioteca. Exposição para ver até 31 de Janeiro.
Na obra de Vergílio Ferreira, a cidade da Guarda tomou diversos nomes, por exemplo Penalva.

Para o bairro do Cabo, num esporão do cerro, rebrilham as janelas de um agrupamento de casas. E instintivamente olho os portões do Sanatório a larga rua e que mal diviso agora entre massas de arvoredo. Tomámos novamente o carro não sabíamos para onde. Contornámos o jardim que fica em frente do quartel, metemos por uma pequena rua que vem dar a um largo palidamente iluminado por candeeiros vagabundos e onde alastra o soturno edifício da cadeia – da cadeia! A face da cadeia tem um ar cerrado de dentes na mole negra de granito travada toda a ferros. Do largo da cadeia vamos à rua do Marquês, subimos à da Misericórdia, do Comércio, saímos à praça, em cujo topo oscila em sombra a velha sé. Subimos ainda a rua do castelo, descemos uma rua íngreme que acaba ao pé do Sanatório.
“E Penalva é triste, oh, Penalva é uma terra triste.”
Não há vento, Penalva imobiliza-se desde toda a eternidade, o ar é leve como um êxtase.

Estrela Polar
Vergílio Ferreira
Bertrand, 3ª edição, 1978