| Rua de entrada em Melo |
- Vocês não se levantam
mas quem podia ficar na cama? era todos os anos assim. Desde que me lembro, era todos os anos assim. Normalmente acordávamos, já começara o sacrifício. Ou não bem ainda, arrastava-se a vítima para o altar. Fecho os olhos, relembro à plenitude solar. Os grunhidos altíssimos, imagino a massa convulsa do animal. São guinchos de aflição, vêm do cortelho ao lado, como estrias de aço vibram para o fundo escuro da manhã. Acordo em sobressalto, eu já sabia de véspera. Visto-me à pressa, acordo o meu irmão, mais nítidos agora os gritos desesperados do porco. Quando desço à rua, era na calçada que desce ao lado da casa, já lá estava a tábua do altar.
Signo Sinal
Vergílio Ferreira
Bertrand, 1979
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